20 de junho de 2012

Dança na Igreja: Técnica x Essência



Clássico, moderno ou contemporâneo. Quem dança na igreja há alguns anos acompanha a evolução e a implantação de técnicas profissionais dentro dos cultos em Manaus. Entretanto, há uma preocupação entre líderes de diferentes ministérios: o desequilíbrio entre a consagração e o profissionalismo.  “Está se trocando altar por palco”, disse a pastora Mary Melo, 42, da Igreja de Deus Pentecostal do Brasil (IDPB).
Segundo ela, que é uma das líderes pioneiras na capital amazonense, há aproximadamente 15 anos, o problema era o preconceito e a não aceitação da dança dentro dos cultos. Hoje, a busca pela perfeição técnica tem deturpado o uso da segunda arte. “Temos que buscar conhecimento para fazer melhor, mas muitos perdem a essência, o propósito, no meio do caminho”, declarou.
Ainda de acordo com a bailarina, utilizar a metodologia não é o problema. Mas a maneira como ela ganhou prioridade, deixando o lado espiritual e a busca por Deus em segundo plano. Querer apresentar algo bonito aos olhos humanos, ressaltou, nem sempre agrada ao principal espectador: Jesus. “Temos muitos grupos com técnica, com coisas boas e bonitas. Mas perde a essência”, lamentou.

Um peso, duas medidas

Para a líder de dança da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), Deborah Janny de Castro, 23, é preciso equilibrar as duas visões — unção e técnica —, porque alguns pastores ainda não veem a arte como ministério. “Muitas igrejas ainda não aceitam, mas é preciso unir a técnica com a parte espiritual para mostrar que a dança é usada por Deus”, declarou ela, que tem dez anos de experiência.
Aluna do terceiro período de Dança da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ela ressalta que ter momentos separados para adora a Deus — individualmente e com o restante do grupo — é essencial para o desenvolvimento correto do grupo. “Muitas vezes, a parte espiritual fica suprimida pelo excesso de ensaios, porque todos querem apresentar algo bonito e esquecem que o Senhor é o Alvo”, afirmou.

Dar o melhor, mas sem 'escandalizar'

Apesar da necessidade das técnicas, a dança na igreja não deve permitir a entrada de ‘modismos’ que batem de frente aos valores cristãos. Esta é a opinião da líder do ministério do Auditório Canaã, Rosiane Costa dos Santos, 30, que trabalha com arte cristã há seis anos. “Dentro da igreja é adoração, culto religioso. Devemos ter cuidado com as vestimentas e coreografia, porque alguns levam parte secular e escandaliza”, disse.
A também assistente social lamentou o baixo número de rapazes, mediante a associação da dança com o homossexualismo. Tanto membros, quanto líderes têm dificuldades de aceitar bailarinos nas apresentações. “Ainda tem um pouco de preconceito, principalmente na área masculina, porque acham que homem que dança é homossexual”, lamentou, ao ressaltar que todos os ministros, independentemente de setor, querem dar o melhor a Deus.
Responsável pelas coreografias da Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Amazonas (Ieadam), na avenida Djalma Batista, Ariane Oliveira, 24, afirma que o diferencial está no foco. Enquanto espetáculos seculares se concentram na técnica, os ministros de dança não podem colocar algo no lugar de Jesus. “A técnica é necessária, porque Deus merece o melhor, mas a consagração é necessária, porque Ele olha nosso esforço e nosso coração”, declarou.

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