20 de maio de 2011

Páscoa: Celebração pela vida


Libertação. Esta é a palavra que melhor expressa o significado da Páscoa na opinião de cristãos e judeus, que encerram a comemoração da data neste domingo. Enquanto o Cristianismo crê que Jesus Cristo libertou a humanidade da condenação do pecado, o Judaísmo relembra o resgate do povo hebreu da escravidão de faraó. “O próprio cordeiro pascal era uma prévia de como o Cordeiro de Deus (Jesus) se entregaria por nós”, disse o pastor Augusto Marques, da Igreja Apostólica Aliança em Cristo.

Segundo ele, assim como o sacrifício feito pelos israelitas livrou os primogênitos de morrer em consequência da décima praga lançada contra o Egito, a morte de Jesus Cristo na cruz resultou na redenção de todas as pessoas que servem ao Senhor. A comemoração dos protestantes é simbolizada “no partir do pão e no beber do vinho”, que representam a carne e o sangue do Filho de Deus. “É a celebração da vitória sobre a morte espiritual e da liberdade adquirida por meio da cruz; morrer para o mundo e viver para Cristo”, afirmou.

A data, inclusive, é considerada a mais importante pelos cristãos, independentemente da denominação. “Pelo sangue Dele, fomos remidos e, pelas dores em Seu corpo flagelado, fomos sarados e salvos para a eternidade”, afirmou, ao cita uma passagem do livro do profeta Isaías, no capítulo 54. “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca”, disse emocionado.

Católicos: amor e gratidão


Com algumas diferenças de doutrina, os católicos separam sete dias do ano para relembrar o sacrifício do Filho de Deus. “É o acontecimento maior da historia da salvação: paixão, morte e ressurreição de Jesus”, disse o bispo auxiliar de Manaus, Dom Mário Antônio. Segundo ele, apesar de retratar a morte no Calvário, esta é uma época de reflexão sobre a importância da vida e do amor.

Ao invés de se entristecer, com o sofrimento de Cristo, todos devem se focar na ressurreição e nos princípios ensinados por Ele. “Celebramos a alegria da redenção, porque o sentido da morte está na Sua ressurreição; Cristo morreu para nos libertar do pecado e nos dar a salvação”, declarou, ao ressaltar que este ato é a razão da fé cristã.

A ‘Semana Santa’, criada pela Igreja Católica, tem uma liturgia para estes dias: a servidão de Jesus é destacada na quinta-feira, com o ‘Lava Pés’, a caminhada de Jesus é expressa nas estações da ‘Via Sacra’, na Sexta da Paixão. Já o Sábado de Aleluia reúne os fiéis na ‘vigília pascal’. Hoje, a ‘Missa da Ressurreição’ celebra a nova vida. “Não é uma continuidade biológica, mas receber de Deus a plenitude da vida”, enfatizou.

Judaísmo: As raízes de Jesus

Para quem não sabe, a festa cristã tem origens na Pessach, a Páscoa judaica, que significa ‘ passagem’ em hebraico. O próprio Jesus era judeu e comemorou a data — iniciada ainda no Antigo Testamento — junto com os apóstolos no fato chamado de “A última ceia”. “Jesus era judeu e estava fazendo a ceia de Pessach, na época em que foi morto; é exatamente a mesma “seder” (ceia)”, disse o líder oficiante religioso da Hebraica Manaus, Isaac Dahan.

Segundo ele, a libertação do povo de Israel do regime de escravidão no Egito foi repassada às gerações seguintes, como instruído na Tanach (Antigo Testamento para o Cristianismo). E é na ceia que eles relembram o sofrimento e a libertação dos antepassados. “A mistura de tâmaras, nozes e castanhas moídas (charosset) simboliza o barro utilizado pelos escravos nas construções antigas”, explicou.

Outros itens também não são colocados sobre a mesa por acaso: as ervas amargas representam a amargura da escravidão, o ovo cozido simboliza a sorte humana, que “pode estar por cima ou por baixo”. Já os pães asmos (sem fermento) são para lembrar que os israelitas não deveriam se ‘contaminar’ com outros povos, que não serviam a Deus. “O ovo também é sinal de semi-luto pelos primogênitos egípcios, que pereceram para que o povo de Israel fosse libertado”, completou Dahan.

Ovos de chocolate e e coelhos vêm de tradição pagã - Foto: Amazonas Em Tempo
De onde surgiriam ovos e coelhos?

O ovo é um símbolo que representa a fertilidade e a renascimento. Muitos séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos no Equinócio da Primavera (21 de Março) era um costume que celebrava o fim do Inverno e o início de uma estação marcada pelo florescimento da natureza. Para obter uma boa colheita, os agricultores enterravam ovos nas terras utilizadas para cultivo.

Quando a Páscoa começou a ser celebrada pelos católicos, a cultura pagã de festejo da Primavera foi integrada às comemorações da Semana Santa. Assim, muito cristãos passaram a ver o ovo como um símbolo da ressurreição de Jesus. Antes de confeccionados como chocolate, inclusive, os ovos ocos eram coloridos no Oriente e em países da Europa, como obras de arte.

Os ovos de chocolate nasceram nas patissiers (confeitarias especializadas) na França, que esvaziavam os ovos de galinha, recheavam com o doce chocolate e os pintavam por fora. Os pais os escondiam nos jardins para que as crianças os encontrassem na época da Páscoa. Com a tecnologia, no final do século 19, se difundiram os ovos totalmente feitos de chocolate.

Já a tradição do coelho foi introduzida pelos alemães. No Antigo Egito, o animal simbolizava o nascimento e a nova vida. Para alguns povos da antiguidade, ele era considerado o símbolo da lua, portanto. Também é possível que tenha se tornado símbolo pascoal, devido ao fato de a lua determinar a data da comemoração religiosa.


“O Profeta Messiânico”

O Novo Testamento cita muitos textos do livro de Isaías, no Antigo Testamento. O profeta, inclusive é conhecido no meio evangélico como o "profeta messiânico", por causa das muitas profecias que se cumpriram especificamente do Cristo. Elas foram escritas mais de 700 anos antes do nascimento de Jesus. Veja, abaixo, alguns dos versículos do livro e as referências com o cumprimento deles:

7:14 - "A virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel" 
Cumprimento: Mateus 1:18-23
8:14 - "Ele . . . será pedra de tropeço e rocha de ofensa"
Cumprimento: Romanos 9:31-33
22:22 - "Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi"
Cumprimento: Apocalipse 3:7; Lucas 1:31-33
35:5 e 6 - "Se abrirão os olhos dos cegos"
Cumprimento: Mateus 11:5
53:3 - "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens"
Cumprimento: João 1:46
53:5 e 6 - "Pelas suas pisaduras fomos sarados"
Cumprimento: 1 Pedro 2:24-25
53:9 - "Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte" 
Cumprimento: Mateus 27:57-60

17 de maio de 2011

Nada de 'aborrescentes'

Lidar com os adolescentes deve ser responsabilidade dos pais e líderes - Foto: Divulgação

Nem criança ou adulto. A adolescência é conhecida como um tempo de transição, quando surgem muitos questionamentos que geram conflitos internos. Nesta fase, inclusive, alguns recusam ir à igreja, ou vão apenas se obrigados. “Os pais pregam uma coisa, mas vivem outra: o adolescente pensa: Se for para ser igual ao meu pai, prefiro sair da igreja”, disse o presbítero, com especialização em psicologia clínica e aconselhamento pastoral, Márcio da Silva.

O amazonense concorda com o livro “Almost Christian” (Quase Cristão), da professora de Juventude e Cultura Eclesiástica no Seminário Teológico de Princeton, nos Estados Unidos, a pastora Kenda Creasy Dean. Segundo a norte-americana, adolescentes estão adotando o que ela chama de “deísmo moralista-terapêutico”, ou seja, uma fé enfraquecida, que mostra Deus como um “terapeuta divino”, cujo principal objetivo é aumentar a autoestima das pessoas.

Da Silva explica que, na idade de 12 a 14 anos, inicia-se o desenvolvimento da personalidade da pessoa, que se espelha nas atitudes paternas e maternas. É por meio desse referencial, que eles adquirem características psicológicas e escolhem crer e buscar, ou não, a Deus.“Há muitos casos em que ele (o adolescente) não gosta de ir mais à igreja, porque não vê o Evangelho sendo colocado em prática dentro de casa”, enfatizou.

A escritora estrangeira diz no livro dela que adolescentes cristãos comprometidos compartilham quatro características, não importa origem ou denominação: eles têm experiência pessoal com Deus, envolvimento profundo com uma comunidade espiritual, senso de propósito e senso de esperança quanto ao futuro.“Existem incontáveis estudos que mostram que adolescentes religiosos têm melhores notas na escola, têm relações melhores com os pais e se envolvem menos em comportamentos de alto risco”, escreve Kenda.

Responsabilidade dividida

Apesar de a base principal estar nos pais, o psicólogo ressalta que a liderança das igrejas também deve cumprir o papel de auxiliar o adolescente a viver e conhecer os princípios do Cristianismo. “A igreja deve trabalhar em parceria com os pais; ela cuida da parte espiritual, enquanto os pais ficam com a parte emocional e educacional”, declarou, ao destacar que o ministério deve “aconselhar, orientar e estudar a situação das famílias”, que pertencem à congregação.

Entretanto, muitos pastores têm o hábito de focar os ensinamentos sempre no mesmo tema. Alguns assuntos, inclusive, ainda são considerados tabus entre os cristãos, o que prejudica o auxílio às famílias em lidar com os adolescentes. “A maioria se foca na teologia e não aproveita outros métodos que podem auxiliar”, afirmou, ao citar a especialização oferecida em São Paulo, onde líderes cristãos aprendem a agir como terapeutas no gabinete pastoral.

Quando o ‘lobo’ congrega ao lado

Em busca de novas ‘aventuras’, os adolescentes costumam ser mais ligados aos amigos e deixam de ouvir à família. Dentro da igreja, porém, eles não estão protegidos de más influências ou, até mesmo, de seguir por caminhos errados. “Há grupos isolados que têm hábitos e costumes diferentes do padrão cristão e até agem como evangélicos, mas por dentro são lobos em pele de cordeiro”, alertou o psicólogo Márcio da Silva.

Mesmo diante do alerta feito aos pais e líderes, o presbítero lembra que não se deve generalizar o modo como a sociedade enxerga os ‘futuros adultos’: “aborrescentes”. Há, sim, jovens tementes e comprometidos com o Reino de Deus. “Existem adolescentes que vivem aquilo que pregam e ministram na igreja, porque foram criados numa educação diferente, onde os pais deram o exemplo”, declarou.

Números alarmantes

O livro “Almost Christian” (Quase Cristão), da pastora KendaCreasy Dean, foi escrito com base no “Estudo Nacional da Juventude e Religião”, feito com aproximadamente 3,3 mil adolescentes norte-americanos, entre 13 e 17 anos.

Segundo a pesquisa, a maioria dos adolescentes entrevistados, que afirmava ser cristã– desde católicos até evangélicos, de denominações conservadoras e das mais liberais – era indiferente sobre sua fé e não se envolvia com ela.

Os números finais indicam que, embora três em cada quatro adolescentes americanos (75%) se declarem cristãos, menos da metade pratica sua fé, apenas metade a considera importante e a maioria não consegue falar de maneira coerente sobre suas crenças.