29 de outubro de 2009

*TV: má influência?*


O poder da mídia sobre crianças e adolescentes tem sido muito debatido em congressos e simpósios; seja entre profissionais da imprensa, psicólogos e líderes de ministérios voltados para este público. Uma pesquisa aumentou a polêmica sobre o assunto. A organização RAND, dos Estados Unidos, divulgou um estudo inédito, no qual vinculou a programação sensual de canais de TV ao comportamento sexual de risco entre jovens de 12 a 17 anos. Resultado: exposição a algumas formas de entretenimento exerce influência corruptora, aumentando a incidência de gravidez.

Segundo os pesquisadores norte-americanos, aproximadamente 718 adolescentes, dentro da faixa etária estipulada, foram visitados três vezes, entre 2001 e 2004; eles foram entrevistados sobre os hábitos como telespectadores, comportamento sexual e gravidez. Cerca de 10% dos adolescentes que assistiram aos programas com mais teor de sexo apresentaram o dobro do risco de engravidar (moças) ou causar uma gravidez (rapazes), comparados aos ao mesmo número que assistiu a menos programas desse tipo. Do grupo analisado, 91 moças engravidaram.

O estudo focou 23 programas de rede aberta e a cabo, populares entre adolescentes — seriados, dramas, programas de realidade e desenhos animados. As comédias tinham o maior teor sexual, e os programas de realidade, o menor. "O conteúdo de TV que vemos raramente destaca os aspectos negativos do sexo, seus riscos e responsabilidades", disse a cientista comportamental Anita Chandra, que chefiou a pesquisa da organização de sem fins lucrativos. "Portanto, se os adolescentes estão recebendo informações sobre sexo, raramente recebem sobre gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis", completou.

Para o psicólogo Elias Mattos, que tem mestrado em educação na Associação Científica e Cultural das Fundações Colaboradoras da USP (Funasp), os meios de comunicação são responsáveis por grande parte da mudança de comportamento nas novas gerações. Os programas exibidos na televisão nos últimos anos, mostram insinuações, muita sensualidade e cenas de sexo explícito. “Com o horário de verão [em Manaus são duas horas mais cedo em relação à Brasília (DF)] fica pior, porque as crianças assistem conteúdo destinado apenas aos adultos e já recebem forte influência”, afirmou.

O erro, entretanto, não está somente na grade de programação; mas também na indiferença dos pais. Muitos ignoram o fato de crianças estarem por perto e se recusam a abrir mão do entretenimento impróprio pelo bem dos filhos. “Os pais não enxergam que isso traz influências maléficas às crianças e adolescentes, que ainda não têm domínio sobre caráter; estão em formação”, enfatizou o também professor universitário. “Eles ficam tão entretidos que não se dão conta de que a criança é muito curiosa”, disse ao citar o exemplo de meninos que se masturbam na frente dos colegas de escola.

Felicidade x Televisão

O estudo publicado pela Social Indicators Research constatou que as pessoas felizes passam muito tempo em atividades sociais, na igreja ou lendo jornais; e dedicam pouco tempo à televisão. “Assistir televisão é algo que pessoas infelizes fazem; ainda que os indivíduos que se descrevem como felizes digam apreciar televisão, essa é a única atividade que praticam com freqüência, menor que as pessoas infelizes”, disse o professor de sociologia da Universidade de Maryland e autor do estudo, John Robinson.

Os pesquisadores identificaram as atividades preferidas por pessoas felizes, com base nas respostas de 45 mil norte-americanos recolhidas pela Pesquisa Social Geral da Universidade de Chicago ao longo de 35 anos. Também utilizaram “diários de tempo”, nos quais os participantes registram as atividades cotidianas. “Nós consideramos entre oito e 10 atividades às quais as pessoas felizes se dedicam, e, para cada uma delas, constatamos que as pessoas que as fazem com mais freqüência - visitar amigos, irem à igreja, coisas como essa - são as mais felizes”, explicou.

Porém, a equipe não foi capaz de determinar se pessoas infelizes assistem mais TV ou se o excesso as torna infelizes. “Assistir televisão era a única atividade para a qual a correlação era negativa; As pessoas infelizes assistem mais TV do que as felizes”, declarou Robinson. “Mas não sei se desligar o televisor tornaria alguém mais feliz”, completou. Ainda assim, ele acredita que os dados comprovem o estudo. “Já que o maior fator para prever o tempo dedicado a assistir televisão é se uma pessoa trabalha ou não, é possível que uma alta no desemprego leve as pessoas a passarem mais tempo diante de seus televisores”, concluiu.

Videogame: outro vilão


Um segundo estudo publicado esta semana acrescentou novas provas às evidências existentes de que os videogames violentos favorecem o comportamento físico agressivo dos jogadores adolescentes. Pesquisadores dos Estados Unidos e Japão avaliaram mais de 1.200 japoneses e 364 norte-americanos, de 9 a 18 anos; e constataram "um risco significativo de comportamento físico agressivo posterior em culturas muito diferentes". ”As crianças recebem uma alta carga e adotam comportamentos agressivos”, declarou. “Medidas para amenizar essa situação é uma educação de berço, com princípios”, afirmou Elias Mattos.


Foto: Marcell Mota - Amazonas Em Tempo