10 de maio de 2009

*Filhos do Coração*


A história de Sara e Abraão é muito ministrada em igrejas cristãs de todo o mundo e, tantos anos depois, muitos casais ainda passam pela mesma situação: sonham ter um filho, mas não conseguem. Sejam problemas de saúde na mulher ou no homem, vários empecilhos atrasam ou anulam a realização de gerar uma descendência. Por outro lado, milhares de crianças vivem em abrigos à espera do amor de uma família. “A maioria estavam em situação de risco ou foram abandonadas”, disse a diretora do Lar Batista Janell Doyle, Magaly Azevedo.

Fundada há 18 anos por integrantes da União Feminina Missionária Batista do Amazonas (UFMB-AM), a instituição cuida de uma média de 50 crianças de cada vez, por que a maioria volta para casa depois de um tempo. “A maioria delas sofria com a negligência dos pais, violência e até abusos”, afirmou. O trabalho do lar é acompanhar a família e tentar promover a reestruturação para a volta do filho. Apenas 10% são encaminhadas para adoção. “Nossa prioridade é reintegrá-las a um ambiente equilibrado”, ressaltou.

O problema é que, muitas vezes, enquanto psicólogos, assistentes sociais e a Vara da Infância e da Juventude trabalham nesse processo de requalificação; meninos e meninas crescem no abrigo. Do outro lado, a exigência dos adotantes também é grande, o que dificulta o encontro de um lar para as crianças carentes. “Há muita procura de adoção idealizada, onde o casal quer apenas bebês”, informou Magaly. As chamadas adoções necessárias – crianças a partir de três anos, grupos de irmãos e com necessidades especiais – são raras.

Uma pesquisa feita pela Corregedoria do Tribunal de Justiça em 2005 mostra que: 99,32% dos pretendentes querem apenas uma criança; 82,68% querem adotar uma de até 3 anos; 49,39% procuram crianças brancas; 1,37% querem apenas negras; 65% brancas para pardas; e 1,32% brancas para amarelas. Esses dados praticamente eliminam as chances da maioria das abrigadas, uma vez que a idade média de ingresso nos abrigos é de três anos. Além disso, mais da metade têm irmãos e são afro-descendentes, de pardas para negras.

No Brasil, quem procura um filho para adotar descobre que a espera leva bem mais do que os nove meses de gestação. Os candidatos, maiores de 18 anos, casados ou solteiros, devem provar que têm respeitabilidade, equilíbrio emocional e estrutura financeira mínima para dar conta do recado. Diferente dos brasileiros, casais estrangeiros aceitam filhos adotivos com mais de 12 anos ou que tenham irmãos, que a lei não separa. Hoje, há 40 mil franceses e 18 mil italianos na fila, mas que só podem adotar depois da recusa dos brasileiros.

Segundo a fundadora do Janell Doyle, mais de três mil crianças de zero a 12 anos já passaram pelo abrigo e a principal razão para a demora na adoção é a exigência do adotante. Aproximadamente 85% dos interessados querem bebês de até dois anos, com preferência pelo sexo feminino. "A procura é grande, mas o limite de idade impede que muitas consigam um lar”, disse. Crianças com doenças graves, como HIV e câncer; ou especiais, com síndrome de down, por exemplo; também diminuem as possibilidades de escolha.

*Quando ficar em casa é pior que no orfanato*

Outro fator dramático envolve a destituição do poder familiar. Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código Civil, a criança só pode ser destinada à adoção após a sentença que tira dos parentes o direito sobre ela. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), feito em 2004, em 580 abrigos do país, revelou que 88% das 19.373 crianças não estavam aptas a adoção porque continuavam legalmente ligadas aos pais. “Queremos que elas possam voltar para casa e serem amadas”, declarou Magaly Azevedo.

O vínculo com os pais biológicos, porém, nem sempre é bom. Em caso de maus-tratos, abuso sexual ou abandono, não seria necessário esperar. Segundo relatório do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), 80 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos no Brasil e cerca de oito mil delas estão aptas para adoção. Na Justiça, uma liminar acelera a colocação da vítima em família substituta. Mas a realidade é que apenas a adoção pronta – quando a mãe doa o bebê e quem o recebe legaliza a situação – é a mais rápida.

*A maior adoção*

Para os cristãos a palavra “adoção” tem muito siginificado. No Novo Testamento, aprendemos que Deus nos tornou filhos Dele por meio do sacrifício de Jesus no Calvário: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Efésios 1:5). De todos os versículos sobre a paternidade de Deus está Romanos 8:15: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai”.

O pastor João de Deus, explica que fomos adotados pela graça (que siginifica presente imerecido). “Quando O recebemos mediante a fé somos feitos filhos Dele”, afirmou ao citar João 1:12, que diz: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”. Por isso, muitos ministros incentivam a adoção de crianças para compartilhar deste mesmo amor. “Deus é a base da família”, enfatizou.