7 de abril de 2009

*Como honrar pai e mãe?*


Honrar pai e mãe é o primeiro mandamento com promessa citado na Bíblia (Êxodo 20:12), no Antigo Testamento. Mas como cumpri-lo diante do abuso dos próprios pais? Seja física, moral ou sexual; a violência contra crianças aumenta no Brasil e em todo o mundo. Apesar de não existir uma pesquisa exata sobre o número de casos (muitos não são denunciados), acredita-se que 80% dos maus tratos sejam cometidos pelos próprios familiares, entre pais, padrastos, tios e irmãos.

Fatos que chocaram o país, como o da menina Isabela, que foi jogada pela janela do prédio onde passava o fim de semana com o pai e a madrasta, em São Paulo; da adolescente de 12 anos torturada, com requintes de crueldade, pela mãe adotiva, em Goiânia (GO); ou, aqui mesmo, em Manaus, do garoto de 11 anos que teve as mãos queimadas pela mãe biológica por ter pegado dinheiro escondido; fazem-nos pensar como essas crianças conseguirão cumprir esse mandamento de Deus?

Para a pastora Lídia Lima, responsável pelo ministério infantil da Igreja do Nazareno na capital amazonense, a falta de limites dentro de casa resulta em agressões. Ao mesmo tempo em que não aplicam o castigo físico – com palmadas, por exemplo – os pais também não impõem regras básicas de educação. “O grande problema hoje, é que os pais fazem todas as vontades das crianças; e como não estabelecem limites; partem para o espancamento quando perdem o controle”, afirmou.

Totalmente contra a violência que humilhe os pequenos ao invés de educá-los, a ministra lembrou que a Palavra de Deus ensina que os pais devem corrigir os filhos para que eles não envergonhem a família depois: "A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe" (Provérbios 29:15). “Ao mesmo tempo, a Bíblia diz que os pais não podem provocar a ira aos filhos, isso inclui abusos morais e físicos”, ressaltou ao lembrar de Colossenses 3:20-21, no Novo Testamento.

Quando o Senhor instrui a honrar os pais isto é uma orientação de dedicar honra a Ele mesmo. Mas estas palavras não foram escritas como resposta a uma situação de abuso; há momentos em que a Bíblia oferece instrução para casos específicos. O apóstolo Paulo, por exemplo, disse que se deve dar dupla honra àqueles que ensinam na igreja. Entretanto, Jesus fez críticas aos fariseus hipócritas, mas sem aplicar este princípio a eles. Em vez disso, falou sobre uma situação específica, pois sabia que eles não mereciam este tratamento elevado.

De forma parecida, este tratamento não é aplicado aos pais que agridem os filhos. O princípio de honrar remete à importância do trabalho deles. Bons pais criam um ambiente saudável, uma cultura familiar na qual Deus é o centro. Porém, também é importante ressaltar que este mandamento não significa “honre apenas os pais fantásticos”. Nenhum pai é perfeito, e a maioria faz o melhor que pode. “Já tivemos o caso de uma menina de 12 anos abusada pelo pai e a mãe não acreditava nela”, disse Lídia.

O final dessa história revelou outra situação comum dentro de lares onde crianças sofrem violência: a mãe que prefere confiar no agressor ou, até mesmo, encobri-lo. Como a adolescente se viu sem o apoio da própria genitora, o procurou dentro da igreja. “Fomos conversar com a mãe e ela disse que não queria perder o marido e, por isso, permitia que ele abusasse da própria filha”, lamentou. Em 25 anos de ministério, a pastora faz questão de instruir as pequenas ovelhas a procurarem ajuda.

Para quem vive sob conceitos cristãos é difícil compreender o motivo de tantos ataques contra os menores, mas é preciso lembrar que o próprio Jesus falou que, no fim dos tempos, pais se levantariam contra filhos e vice-versa e que a iniquidade se multiplicaria na face da Terra. A natureza do homem é ruim, como Paulo descreve no capítulo cinco de Romanos; e a única saída para sarar as feridas, se resume numa única palavra: perdão. “É preciso conversar com a criança e trabalhar nesta área para que Deus traga a cura”, enfatizou Lídia Lima.

*Educar, na Bíblia, é prova de amor *

Deixar de disciplinar e ensinar os filhos o caminho do Senhor não é sabedoria, mas é tolice. Como o Senhor diz, é colocar tropeço para eles: "Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar (...); Vede, não desprezeis a nenhum destes pequeninos (...); Assim também não é da vontade de vosso Pai que está nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos" (Mateus 18: 6,10 e 14).
O Livro de Hebreus (12: 6 a 8) ainda ressalta a importância da correção como prova de amor aos filhos, semelhante ao próprio Pai celestial: "Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos".

Foto: menino amazonense, com mãos queimadas pela mãe - Alberto César Araújo (Amazonas Em Tempo)