19 de outubro de 2008

*O cristão e a vaidade*


Roupas de griffe, cirurgia plástica, cosméticos anti-envelhecimento e escova definitiva. Estas são algumas das “armas” criadas pelo ser humano na tentativa de “melhorar” a beleza do corpo. Não é difícil encontrar alguém que não esteja satisfeito com o nariz ou que queira se livrar daquele sinal de nascença na bochecha. Toda pessoa, independentemente de sexo ou idade, sempre encontra um “defeitozinho” que gostaria de mudar em si mesmo. “Não tem problema nenhum em se cuidar, mas tudo tem limite”, disse a bailarina Ana Paula Santos, 22.

Ela usava somente blusinhas de dança, calça jeans e tênis; além de ser vista frequentemente com o cabelo arrumado em forma de coque para as aulas de balé. Há pouco mais de um ano mudou para um estilo mais adulto e não sai de casa sem uma maquiagem básica e sandália de salto alto. “Como sou pequena e magra, muitos achavam que eu tinha 16 anos”, lembrou. “Decidi começar a me arrumar, não para chamar atenção, mas para me sentir bem como mulher”, completou.

Essa preocupação em se sentir bonito é considerada normal, mas o desejo de atrair a atenção de outrem é definido em apenas uma palavra no Evangelho: vaidade. Geralmente, os verdadeiros vaidosos têm o costume de exaltar os pontos positivos e esconder os que não são agradáveis. No dicionário Aurélio, vaidade é descrita da seguinte forma: qualidade do que é vão; ilusório; instável ou pouco duradouro; desejo imoderado de atrair atenção ou homenagens; vanglória; presunção; coisa fútil ou insignificante.

Ligado diretamente à aparência física, o assunto é considerado polêmico dentro da Igreja. Algumas denominações seguem um controle rígido de usos e costumes; enquanto outras se focam justamente no público mais “descolado” para atrair novos convertidos. Mas até onde vai a vaidade entre os cristãos? “Ensino meus liderados a se vestirem bem; cuidarem do visual e, principalmente, do físico, pois somos a Noiva de Cristo”, afirmou o teólogo e pastor Edmilson Lopes, 51. “O Noivo quer uma Noiva bem cuidada”, enfatizou.

A idéia de que “crente não se arruma” diminiuiu entre os não cristãos, porém, muitos ao serem convidados para um culto ou evento evangélico, ainda pensam no esteriótipo da mulher de cabelo comprido e sai longa; e do homem com camisa engomada de manga comprida. “Quando senti o chamado de Deus tinha pavor de procurar uma igreja, porque observava aquelas mulheres com cabelos maltratados, pernas cabeludas e com as vestimentas fora dos padrões“, revelou a esteticista e empresária Vitória Fernandes, 50.

Dona de uma rede de salões de beleza em Manaus, ela achava o estilo das evangélicas totalmente radicais, com uma “seriedade exagerada”, que às vezes as tornava de aparência “agressiva”. “Eu me rendi a Ele com ou sem cabelo curto,” afirmou Vitória. Ela usou o exemplo da rainha Ester, que durante seis meses se preparou para encontrar-se com o rei, num processo de cuidados com a pele, cabelos, e corpo. “Tudo isso era para ela ficar belíssima para o seu rei”, enfatizou.

Segundo ela, tanto as mulheres como os homens evangélicos se cuidam mais do que há oito anos atrás. A esteticista estima que, no ano 2000, apenas um cristão cuidava da aparência a cada 100 pessoa; enquanto hoje, o número está a um por um. “Os cristãos precisam e devem cuidar da aparência tanto física quanto visual”, opinou. Porém, antes do cuidado externo é preciso tratar do interno, do coração, “Precisamos saber amar, perdoar e entender que Deus é que está no comando de nossas vidas”, ressaltou a empresária.

*É preciso ter cuidado*

Na Bíblia, o tema é bastante citado em Eclesiastes, no Antigo Testamento. Segundo a Palavra, todos os empreendimentos humanos na terra não têm sentido nem propósito, quando realizados fora da vontade de Deus. O Livro também salienta que o homem não deve depositar as esperanças dele num mundo totalmente distante do Senhor. Para o pastor Manuel de Oliveira Queiroz Junior, 34, a vontade de se sentir bem esteticamente, até certo ponto, não é pecado.

Segundo o ministro, quando uma pessoa se preocupa com a aparência, não está errada, desde que todos esses cuidados não sejam para a própria exaltação e se torne idolatria ao próprio corpo. “Nós somos o templo do Espírito Santo e temos que zelar pelo nosso corpo, sem que isso saia do foco do que Deus espera de nós”, afirmou. “Toda a glória deve ser dada somente ao Senhor e tudo em mim deve ser para glorificá-Lo”, completou, com a letra de um louvor bem conhecido: “Eu não preciso ser reconhecido por ninguém”.