Nascido na periferia de São Paulo, Luo compõe todas as canções, com estrofes sobre a decadência do mundo; o amor de Cristo; e a opção que as pessoas têm entre seguir o bem ou o mal. A mais famosa é “Muita Treta”, com relatos sobre violência, racismo, desigualdade e corrupção. “Não tenho um único tema; escrevo sobre amor, alegria, tristeza, solidão (...) Situações que as pessoas vivem no cotidiano”, declarou. “A maior treta do mundo vai ser quando Jesus Cristo voltar”, ressalta a música.
Sempre questionado sobre a vida dele antes de se entregar a Deus, em 1994, o rapper faz questão de quebrar todos os “achismos” sobre o assunto. “Só porque nasci num lugar pobre e canto rap, muitos imaginam mil coisas: que eu era bandido, traficante ou usuário de drogas; mas eu nunca fui nada disso; era um garoto normal”, ressaltou. Segundo ele, o tom pesado das letras do grupo é sobre a realidade vista por ele desde a infância. “Não precisei ficar preso, tomar tiro ou usar drogas para ter experiências do gueto,” afirmou.
Para o pregador, a maioria dos cantores desse estilo musical gosta de glamurizar um passado sombrio para se promover na mídia e acaba distorcendo conceitos e criando um esteriótipo ruim. “Hoje, os papéis foram invertidos: as crianças crescem querendo ser como o vilão ao invés do herói”, disse. “Parece que ser bom não é mais interessante”, completou. Na visão dele cada pessoa é um exemplo, independentemente do caráter. “Algumas podem ser seguidas, outras não”, opinou.
A primeira e única vez que o paulistano veio a capital amazonense ficou marcada na memória do cantor, como um momento único no ministério dele. No meio de cerca de 5 mil pessoas, ele conheceu um garoto especial. “Ele era índio e viajou mais de 20 horas de barco do interior até Manaus para ir ao show”, lembrou. “Ele conheceu o Apocalipse por meio de missionários, que foram evangelizar na aldeia dele”, ressaltou. “É muito bom saber que jovens estão sendo alcançados com minhas músicas”, declarou o rapper.
Transformação de vidas destruídas por meio das canções compostas por Luo são os frutos que o motivam a seguir em frente. Ao andar pelas ruas da Terra da Garoa e do Brasil, ele vê o resultado de 12 anos de trabalho. “Sou militante do rap desde antes de me converter, há 20 anos; mas ao levar os ensinamentos de Jesus, muitos me agradecem e falam como minha música os ajudou”, afirmou. “Moças deixaram de abortar por causa de algumas delas e bandidos decidiram mudar de vida”, enfatizou.
Entre as histórias está a de um ex-presidiário, que esbarrou com o pregador no Centro da capital paulista. A tatuagem exposta no peito do desconhecido chamou a atenção do líder do APC16. “Tinha ido fazer tranças no cabelo e passei por um cara com uma tatoo escrita apocalipse, mas continuei andando; Ele percebeu quem eu era e voltou, dizendo que ouvia minhas músicas na cadeia e que tinha tatuado o nome do grupo, porque elas ministraram no coração dele”, contou. “Ele estava procurando emprego e me agradeceu”, disse.
Apesar de ouvir diversos testemunhos de ex-drogados, ex-traficantes e ex-bandidos; Luo afirmou que o rap não é restrito à periferia. O público é formado por todos os grupos sociais, raças e idade; inclusive, filhos de delegados e jovens de classe alta. “A MTV [canal de televisão que exibe clipes musicais não-cristãos] chegou a me ligar, pedindo para eu enviar alguns clipes a pedido dos próprios telespectadores”, ressaltou. “Respeito as diferenças, mas tenho os meus limites; sem palavrões e letras eróticas”, declarou.
*Rock e unção*
Junto com rapper paulistano também ministraram a banda Khorus, de Cariacica, no Espírito Santo; e mais dois grupos locais: Alive, que lançou o primeiro CD; e Ministério Nova Aliança, que fez a abertura do evento. “O primeiro festival foi muito bem recebido e, agora, esperamos que o público seja abençoado novamente”, afirmou o produtor da “A Grande Colheita”, Marcelo Biati. O show foi organizado em parceria com a I’M Eventos. “Nosso foco é levar a Palavra de Deus aos que ainda não conhecem e edificar a Igreja”, completou.
O líder da banda capixaba, pastor Toninho Rondow, esperava pelo sobrenatural de Deus sobre os integrantes e o público. Segundo ele, nas três visitas anteriores que fizeram ao estado, os ministros passaram por experiências inesquecíveis. “Toda vez que vamos a Manaus, algo sobrenatural acontece em nossas vidas”, revelou. Para o ministro a unção dos crentes amazonenses sempre causa impacto na vida dos músicos, que acreditam na existência de um forte mover apostólico sobre a cidade. “O avivamentto flui daí para o resto do país”, enfatizou.

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