31 de agosto de 2008

*Paixão pela Vida*

Jovens relembram os passos da coreografia; crianças correm em meio às gargalhadas; e senhoras se reúnem para compartilhar a Palavra de Deus. Esses são os bastidores do musical “Paixão pela Vida”, apresentado há quase 30 anos pela Igreja Presbiteriana de Manaus (IPM) durante a época da Páscoa. Encenado no Estúdio 5 Festival Mall Manaus – na Avenida General Rodrigo Otávio, Distrito Industrial – desde 2001, o espetáculo tem aproximadamente 345 pessoas envolvidas na produção. A entrada é um quilo de alimento não perecível, destinado ao projeto social da denominação.
Depois dos últimos ajustes no som, nas luzes e no cenário; o silêncio tomou conta do ambiente. Joelhos dobrados, adoração e reverência revelam o principal objetivo da reunião: atrair a presença de Deus e colocá-Lo à frente de tudo. É com temor e muita oração; que atores, bailarinos e ministros de louvor abrem mais uma noite de ensaio e se preparam para reviver os momentos marcantes da vida de Jesus Cristo. “Não damos um passo sem orar, porque queremos atender à direção do Senhor para levar o Evangelho”, disse a produtora executiva da cantata, Ivete de Barros.
Lá no cantinho, pode-se ver um homem sorridente, com barba e cabelos longos; à espera do momento certo para entrar em cena. Há 13 anos no papel do Filho de Deus, Dan Lídio de Carvalho surpreende pela semelhança com o Salvador e se sente honrado por representar o papel principal do espetáculo. “Isso não é para glorificar homens, mas para mostrar a humildade e o amor incondicional de Jesus pela humanidade”, afirmou. Além dele, a esposa, Karla Roberta, e os filhos Dan Junior, 9; e Dan Isaque, 5, também participam do musical. “Minha mulher já fez o papel de Maria grávida e os meninos fizeram Jesus bebê”, lembrou.
Depois de uma rápida entrevista com “o Senhor”, surge uma personagem bem conhecida do Novo Testamento: a mulher do vaso de alabastro, que lavou os pés de Jesus com as próprias lágrimas e os enxugou com os cabelos. “No momento em que estou fazendo a cena, posso sentir o amor incondicional de Deus”, declarou a intérprete Márcia Sussuarana. “Esta mulher era discriminada por ser impura, mas se entregou sem se preocupar com o que as outras pessoas iam pensar”, disse. “Ela deu a Ele o que tinha de mais precioso e, quando entro no palco, eu entrego o que mais tenho de valioso: a minha vida”, completou ela.

*Mirando no alvo*

Desde a alegria das danças, na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, até o sofrimento Dele no Calvário, tudo é ensaiado exaustivamente por todo o elenco por até seis horas seguidas. Mas tanto sacrifício tem um motivo especial. “Nosso alvo é fazer com que a população compreenda que Jesus morreu e, o principal: ressuscitou por nós”, disse o pastor e supervisor do musical, Francisco Wellighton. “São 3.400 pessoas por apresentação, que recebem a Palavra e aprendem que Jesus é o mesmo eternamente”, completou.
Um exemplo de fruto colhido durante a primeira edição no Studio 5, é Alexandre Tarragô. Ele se entregou a Jesus em 2001, logo após assistir o espetáculo e, no ano seguinte, já estava no palco. “Depois que você assiste, não é mais a mesma pessoa”, afirmou. Responsável pelos papéis de Caifás e Simão (o fariseu) ele também é assistente de direção; e sempre convida amigos para assistirem o trabalho. “Mesmo que eles não aceitem Jesus naquela noite, a palavra é plantada e, no futuro, alguém irá colher”, enfatizou.

Foto: Hudson Fonseca - Amazonas Em Tempo

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