5 de julho de 2012

*Eu escolhi esperar*



Foi-se o tempo em que virgindade era motivo de orgulho dos jovens, que faziam questão de se preservar para um bom casamento. Isso soou muito Era Medieval? Pois saiba que, quatro séculos depois, muitos ainda têm o mesmo pensamento: relações sexuais somente após dizer “sim” no altar. Para dar suporte aos que optaram por esse caminho, nasceu à mobilização “Eu escolhi esperar”. “Não é uma mobilização moralista nem puritana, mas de valores”, disse o idealizador, Nelson Júnior, de Vila Velha (ES).
Em entrevista ao CADERNO GOSPEL, o pastor explicou que o movimento foi criado há cerca de 1 ano e divulgado em redes sociais on-line. Diferentemente do que algumas pessoas pensam, “não é um ativismo em busca de aprovação”. O foco, inclusive, não é apenas se abster de sexo, mas evitar outros pecados de imoralidade sexual, como lascívia, pornografia e masturbação. “Não pregamos castidade, mas a santidade. Quando você toma a decisão de se guardar emocionalmente e sexualmente está se separando. Isso é santidade”, explicou.

Casado há 13 com a primeira namorada, Ângela Cristina, ele tomou a decisão de esperar ainda no início da adolescência. Aos 15 anos, recebeu o chamado pastoral e, após terminar o ensino médio, ingressou no seminário, concluído cinco anos depois. “Eu não queria ser um objeto, como um carro à disposição para test drive”, afirmou. “Tomei a decisão de esperar o tempo certo e a pessoa certa para fazer da forma certa”, completou ele, que sempre trabalhou na liderança da mocidade da igreja.

Segundo Júnior, a experiência de resistir às tentações serviu para fortalecer o ministério dele e mostrar que é possível esperar. Entretanto, reconhece que as lutas internas e os hormônios são adversários complicados. “Meus colegas na época viviam iguais aos que não eram da igreja”, lembrou, ao ressaltar que se auto-proclamar cristão não significa nada, sem a decisão pessoal de se preservar. “A vida sexual dos jovens cristãos é muito mais ativa do que os pastores creem”, lamentou.

Ajuda da internet

No dia 20 de junho de 2011, a mobilização realizou uma Twitcam — transmissão de vídeo ao vivo pelo Twitter — do quadro chamado #PapoAberto, um programa via web, que fala exclusivamente sobre amor, sexo, namoro, noivado e relacionamentos. A transmissão começou por volta das 21h e logo a hashtag (tema) #EuEscolhiEsperar chegou ao topo dos trending topics brasileiro, que mostra os dez assuntos mais comentados no microblog. “Ecoou por todo o Brasil, para minha surpresa”, disse Nelson Júnior.
Ainda de acordo com ele, a internet é uma ferramenta para fortalecer aqueles que escolheram esperar em Deus, sem a intenção de levantar uma bandeira de puritanismo. “Não pregamos um conceito de momento. Trabalhamos com construção de futuras famílias saudáveis”, afirmou, ao ressaltar que a idéia repercute mais fora da igreja. “Numa sociedade tão perdida de valores, um ponto de luz se transforma em um farol”, enfatizou. “Também encorajamos aqueles que já tiveram experiências, mas que desejam recomeçar”, completou.

Base bíblica

A mobilização “Eu escolhi esperar” é baseada no texto de I Tessalonicenses 4:3 a 5:  “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; Não na paixão da carne, como os gentios, que não conhecem a Deus.” Para saber mais acesse: www.euescolhiesperar.com.

26 de junho de 2012

*Estupro: Você perdoaria?*


Perdão. Palavra pequena, mas de grande impacto a ponto de deixar ate alguns cristãos desconfortáveis. Afinal, será que é possível perdoar um estuprador? A vítima ficaria com o bebê concebido durante tal crime? Estas são apenas algumas das questões abordadas pelo filme "Amar o homem mau".
Segundo o ator principal do longa-metragem produzido pela Stone Bridge Filmes em parceria com a Eastlake Filmes, Stephen Baldwin, o objetivo é levar os espectadores a se reexaminarem e pensar se, realmente, vivem o princípio ensinado por Jesus. É "chamar as pessoas para realmente olhar para quem está em Cristo”.
Assistido por mais de cinco mil pessoas numa única sessão, nos Estados Unidos, o filme está sendo exibido em diversas cidades do país norte-americano. O trabalho, inclusive, não é evangelístico, mas tem peso para aqueles que se dizem cristãos. "Estamos vivendo numa época em que, se você está brincando com a sua fé, vai ser responsabilizado”, declarou.
Para o produtor executivo do filme e diretor da Goldman Sachs, Tom Conigliaro, a produção escrita pelo diretor Peter Engert não é sobre estupro, mas mostra o desenrolar das consequências na vida dos atingidos pelo fato. A mensagem de "perdão e redenção sob as circunstâncias mais extremas" teria um impacto nas pessoas.
Inclusive, há relatos de espectadores que decidiram exercer o perdão após assistir o longa. "Talvez essa seja a razão porque fiz esse filme. Talvez tenha sido a convocação, para ajudar este indivíduo, cuja vida está potencialmente mudada para sempre", afirmou Conigliaro.

Casos reais: Quando a dor fala mais alto

Para quem sofreu violência sexual, entretanto, a profundidade da ferida é bem maior do que o filme “Amar o homem mau” pode expressar. É o caso da amazonense Adriana Silva*, 24, que sofreu estupro do próprio tio, quando ainda era criança. Mesmo após a idade adulta, ela não consegue esquecer o crime. “Eu tinha só quatro anos e não aconteceu apenas uma vez”, declarou com a voz embargada.

O maior sofrimento da universitária, que é evangélica, foi não ter apoio da própria família, que decidiu não denunciar à polícia e “varrer o problema para debaixo do tapete”. A moça se deu conta de que não havia esquecido, quando reencontrou o agressor após 15 anos. “Todos acharam que eu ia esquecer, mas no dia em que o encontrei por acaso, na rua, veio todas aquelas lembranças e chorei muito”, afirmou, ao confessar que não conseguiu perdoar.

Já a estudante Cláudia*, 17, passou pelo trauma do estupro, há cerca de 1 ano. Diferentemente de Adriana, ela não conhecia o criminoso, que aproveitou o fato de a mesma estar sozinha em casa, se arrumando para sair. “Roubaram algo muito precioso, sofri ameaças e preconceito dentro da minha própria família, que não acreditou em mim”, disse, ao revelar que só consegue dormir à base de calmantes desde o dia do ataque. “Basta eu fechar os olhos para lembrar...”, completou.

Ela não se sente segura sozinha, mesmo que alguém esteja no cômodo ao lado. Também cristã, ainda não sabe quando conseguirá superar a dor e liberar perdão. “Não sei se eu perdoaria tão cedo; o perdão é uma dádiva de Deus, não são todos que sabem pedir ou dar, principalmente neste caso”, explicou. “Quem sabe, um dia, eu perdoo”, disse, em tom triste e pensativo.

Entre a fé e a razão

Na opinião da psicóloga Lídice Cristina da Mata Santos, o perdão é possível. Entretanto, a maneira como fé e razão lidam com o trauma de um estupro varia de pessoa para pessoa, porque o processo de superação se projeta de maneiras diferentes. “São questões diferentes, espiritualidade versus ciência”, disse ao ressaltar que esse tipo de violência atingefísica, emocional e psicologicamente.

Por afetar diferentes áreas, ela recomenda o acompanhamento de médicos, de um profissional de saúde mental – como terapeuta, psicólogo ou psiquiatra – e também espiritual, seja de padre ou pastor. “É difícil, porque é uma lembrança que sempre fica na ‘caixinha preta’ da pessoa”, simplificou a também psicopedagoga. “Não temos dimensão da dor que ela sente”, completou.

Segundo Lídice, mesmo que se passem muitos anos e seja feito um tratamento, há acontecimentos do cotidiano que possam lembrar a mulher do sofrimento. A maior dificuldade de quem passou pelo estupro é lidar com o toque do homem amado. “A luta maior é com ela mesma, que pode ter dificuldades com o parceiro”, afirmou, ao lembrar que o apoio da família é fundamental. “Ela tem que participar de processo terapêutico”, enfatizou.

Apesar de ter uma visão mais profissional do problema, a psicóloga acredita que o perdão concedido ao agressor é um processo independente de tratamento físico ou mental. Para ela, é uma questão de ordem espiritual. “Porque entra numa questão de fé; ela pensa no que motivou o agressor a fazer isso e que apenas estava no lugar e hora errados”, concluiu.

Uma prévia da história

Enquanto Stephen Baldwin interpreta McQuade, líder dos skinheads, Christine Kelly (Julie Thompson) é uma cristã conservadora, que se sente uma pessoa excluída da família. O pai é cético, o irmão mais novo é um DJ, que zomba da vida cristã devota, e a mãe (interpretada por Kim Ostrenko) é uma cristã menos dedicada.

Na história, Julie é estuprada por Mike Connor (Arturo Fernandez) e fica grávida. Os eventos parecem um teste para a fé da moça, mas o filme não retrata a luta real dela para chegar à conclusão de que deve perdoar o estuprador. Mostra como ela não abandona a fé e pratica o mandamento bíblico de amar o inimigo e perdoar como Deus a perdoou.

Nem uma única vez a vítima compromete suas convicções, mas o mesmo não se pode dizer da mãe dela, que diz "Deus iria entender", ao sugerir abortar o bebê. Entretanto, o choque maior para a família Thompson é descobrir que a moça visita Connor. "Eu não quero ajudar as pessoas só porque isso me faz sentir bem comigo mesma", diz a personagem.

*Os nomes foram mudados para preservar a identidade das entrevistadas.

20 de junho de 2012

Dança na Igreja: Técnica x Essência



Clássico, moderno ou contemporâneo. Quem dança na igreja há alguns anos acompanha a evolução e a implantação de técnicas profissionais dentro dos cultos em Manaus. Entretanto, há uma preocupação entre líderes de diferentes ministérios: o desequilíbrio entre a consagração e o profissionalismo.  “Está se trocando altar por palco”, disse a pastora Mary Melo, 42, da Igreja de Deus Pentecostal do Brasil (IDPB).
Segundo ela, que é uma das líderes pioneiras na capital amazonense, há aproximadamente 15 anos, o problema era o preconceito e a não aceitação da dança dentro dos cultos. Hoje, a busca pela perfeição técnica tem deturpado o uso da segunda arte. “Temos que buscar conhecimento para fazer melhor, mas muitos perdem a essência, o propósito, no meio do caminho”, declarou.
Ainda de acordo com a bailarina, utilizar a metodologia não é o problema. Mas a maneira como ela ganhou prioridade, deixando o lado espiritual e a busca por Deus em segundo plano. Querer apresentar algo bonito aos olhos humanos, ressaltou, nem sempre agrada ao principal espectador: Jesus. “Temos muitos grupos com técnica, com coisas boas e bonitas. Mas perde a essência”, lamentou.

Um peso, duas medidas

Para a líder de dança da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), Deborah Janny de Castro, 23, é preciso equilibrar as duas visões — unção e técnica —, porque alguns pastores ainda não veem a arte como ministério. “Muitas igrejas ainda não aceitam, mas é preciso unir a técnica com a parte espiritual para mostrar que a dança é usada por Deus”, declarou ela, que tem dez anos de experiência.
Aluna do terceiro período de Dança da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), ela ressalta que ter momentos separados para adora a Deus — individualmente e com o restante do grupo — é essencial para o desenvolvimento correto do grupo. “Muitas vezes, a parte espiritual fica suprimida pelo excesso de ensaios, porque todos querem apresentar algo bonito e esquecem que o Senhor é o Alvo”, afirmou.

Dar o melhor, mas sem 'escandalizar'

Apesar da necessidade das técnicas, a dança na igreja não deve permitir a entrada de ‘modismos’ que batem de frente aos valores cristãos. Esta é a opinião da líder do ministério do Auditório Canaã, Rosiane Costa dos Santos, 30, que trabalha com arte cristã há seis anos. “Dentro da igreja é adoração, culto religioso. Devemos ter cuidado com as vestimentas e coreografia, porque alguns levam parte secular e escandaliza”, disse.
A também assistente social lamentou o baixo número de rapazes, mediante a associação da dança com o homossexualismo. Tanto membros, quanto líderes têm dificuldades de aceitar bailarinos nas apresentações. “Ainda tem um pouco de preconceito, principalmente na área masculina, porque acham que homem que dança é homossexual”, lamentou, ao ressaltar que todos os ministros, independentemente de setor, querem dar o melhor a Deus.
Responsável pelas coreografias da Igreja Evangélica Assembleia de Deus do Amazonas (Ieadam), na avenida Djalma Batista, Ariane Oliveira, 24, afirma que o diferencial está no foco. Enquanto espetáculos seculares se concentram na técnica, os ministros de dança não podem colocar algo no lugar de Jesus. “A técnica é necessária, porque Deus merece o melhor, mas a consagração é necessária, porque Ele olha nosso esforço e nosso coração”, declarou.

20 de maio de 2011

Páscoa: Celebração pela vida


Libertação. Esta é a palavra que melhor expressa o significado da Páscoa na opinião de cristãos e judeus, que encerram a comemoração da data neste domingo. Enquanto o Cristianismo crê que Jesus Cristo libertou a humanidade da condenação do pecado, o Judaísmo relembra o resgate do povo hebreu da escravidão de faraó. “O próprio cordeiro pascal era uma prévia de como o Cordeiro de Deus (Jesus) se entregaria por nós”, disse o pastor Augusto Marques, da Igreja Apostólica Aliança em Cristo.

Segundo ele, assim como o sacrifício feito pelos israelitas livrou os primogênitos de morrer em consequência da décima praga lançada contra o Egito, a morte de Jesus Cristo na cruz resultou na redenção de todas as pessoas que servem ao Senhor. A comemoração dos protestantes é simbolizada “no partir do pão e no beber do vinho”, que representam a carne e o sangue do Filho de Deus. “É a celebração da vitória sobre a morte espiritual e da liberdade adquirida por meio da cruz; morrer para o mundo e viver para Cristo”, afirmou.

A data, inclusive, é considerada a mais importante pelos cristãos, independentemente da denominação. “Pelo sangue Dele, fomos remidos e, pelas dores em Seu corpo flagelado, fomos sarados e salvos para a eternidade”, afirmou, ao cita uma passagem do livro do profeta Isaías, no capítulo 54. “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca”, disse emocionado.

Católicos: amor e gratidão


Com algumas diferenças de doutrina, os católicos separam sete dias do ano para relembrar o sacrifício do Filho de Deus. “É o acontecimento maior da historia da salvação: paixão, morte e ressurreição de Jesus”, disse o bispo auxiliar de Manaus, Dom Mário Antônio. Segundo ele, apesar de retratar a morte no Calvário, esta é uma época de reflexão sobre a importância da vida e do amor.

Ao invés de se entristecer, com o sofrimento de Cristo, todos devem se focar na ressurreição e nos princípios ensinados por Ele. “Celebramos a alegria da redenção, porque o sentido da morte está na Sua ressurreição; Cristo morreu para nos libertar do pecado e nos dar a salvação”, declarou, ao ressaltar que este ato é a razão da fé cristã.

A ‘Semana Santa’, criada pela Igreja Católica, tem uma liturgia para estes dias: a servidão de Jesus é destacada na quinta-feira, com o ‘Lava Pés’, a caminhada de Jesus é expressa nas estações da ‘Via Sacra’, na Sexta da Paixão. Já o Sábado de Aleluia reúne os fiéis na ‘vigília pascal’. Hoje, a ‘Missa da Ressurreição’ celebra a nova vida. “Não é uma continuidade biológica, mas receber de Deus a plenitude da vida”, enfatizou.

Judaísmo: As raízes de Jesus

Para quem não sabe, a festa cristã tem origens na Pessach, a Páscoa judaica, que significa ‘ passagem’ em hebraico. O próprio Jesus era judeu e comemorou a data — iniciada ainda no Antigo Testamento — junto com os apóstolos no fato chamado de “A última ceia”. “Jesus era judeu e estava fazendo a ceia de Pessach, na época em que foi morto; é exatamente a mesma “seder” (ceia)”, disse o líder oficiante religioso da Hebraica Manaus, Isaac Dahan.

Segundo ele, a libertação do povo de Israel do regime de escravidão no Egito foi repassada às gerações seguintes, como instruído na Tanach (Antigo Testamento para o Cristianismo). E é na ceia que eles relembram o sofrimento e a libertação dos antepassados. “A mistura de tâmaras, nozes e castanhas moídas (charosset) simboliza o barro utilizado pelos escravos nas construções antigas”, explicou.

Outros itens também não são colocados sobre a mesa por acaso: as ervas amargas representam a amargura da escravidão, o ovo cozido simboliza a sorte humana, que “pode estar por cima ou por baixo”. Já os pães asmos (sem fermento) são para lembrar que os israelitas não deveriam se ‘contaminar’ com outros povos, que não serviam a Deus. “O ovo também é sinal de semi-luto pelos primogênitos egípcios, que pereceram para que o povo de Israel fosse libertado”, completou Dahan.

Ovos de chocolate e e coelhos vêm de tradição pagã - Foto: Amazonas Em Tempo
De onde surgiriam ovos e coelhos?

O ovo é um símbolo que representa a fertilidade e a renascimento. Muitos séculos antes do nascimento de Cristo, a troca de ovos no Equinócio da Primavera (21 de Março) era um costume que celebrava o fim do Inverno e o início de uma estação marcada pelo florescimento da natureza. Para obter uma boa colheita, os agricultores enterravam ovos nas terras utilizadas para cultivo.

Quando a Páscoa começou a ser celebrada pelos católicos, a cultura pagã de festejo da Primavera foi integrada às comemorações da Semana Santa. Assim, muito cristãos passaram a ver o ovo como um símbolo da ressurreição de Jesus. Antes de confeccionados como chocolate, inclusive, os ovos ocos eram coloridos no Oriente e em países da Europa, como obras de arte.

Os ovos de chocolate nasceram nas patissiers (confeitarias especializadas) na França, que esvaziavam os ovos de galinha, recheavam com o doce chocolate e os pintavam por fora. Os pais os escondiam nos jardins para que as crianças os encontrassem na época da Páscoa. Com a tecnologia, no final do século 19, se difundiram os ovos totalmente feitos de chocolate.

Já a tradição do coelho foi introduzida pelos alemães. No Antigo Egito, o animal simbolizava o nascimento e a nova vida. Para alguns povos da antiguidade, ele era considerado o símbolo da lua, portanto. Também é possível que tenha se tornado símbolo pascoal, devido ao fato de a lua determinar a data da comemoração religiosa.


“O Profeta Messiânico”

O Novo Testamento cita muitos textos do livro de Isaías, no Antigo Testamento. O profeta, inclusive é conhecido no meio evangélico como o "profeta messiânico", por causa das muitas profecias que se cumpriram especificamente do Cristo. Elas foram escritas mais de 700 anos antes do nascimento de Jesus. Veja, abaixo, alguns dos versículos do livro e as referências com o cumprimento deles:

7:14 - "A virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel" 
Cumprimento: Mateus 1:18-23
8:14 - "Ele . . . será pedra de tropeço e rocha de ofensa"
Cumprimento: Romanos 9:31-33
22:22 - "Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi"
Cumprimento: Apocalipse 3:7; Lucas 1:31-33
35:5 e 6 - "Se abrirão os olhos dos cegos"
Cumprimento: Mateus 11:5
53:3 - "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens"
Cumprimento: João 1:46
53:5 e 6 - "Pelas suas pisaduras fomos sarados"
Cumprimento: 1 Pedro 2:24-25
53:9 - "Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte" 
Cumprimento: Mateus 27:57-60

17 de maio de 2011

Nada de 'aborrescentes'

Lidar com os adolescentes deve ser responsabilidade dos pais e líderes - Foto: Divulgação

Nem criança ou adulto. A adolescência é conhecida como um tempo de transição, quando surgem muitos questionamentos que geram conflitos internos. Nesta fase, inclusive, alguns recusam ir à igreja, ou vão apenas se obrigados. “Os pais pregam uma coisa, mas vivem outra: o adolescente pensa: Se for para ser igual ao meu pai, prefiro sair da igreja”, disse o presbítero, com especialização em psicologia clínica e aconselhamento pastoral, Márcio da Silva.

O amazonense concorda com o livro “Almost Christian” (Quase Cristão), da professora de Juventude e Cultura Eclesiástica no Seminário Teológico de Princeton, nos Estados Unidos, a pastora Kenda Creasy Dean. Segundo a norte-americana, adolescentes estão adotando o que ela chama de “deísmo moralista-terapêutico”, ou seja, uma fé enfraquecida, que mostra Deus como um “terapeuta divino”, cujo principal objetivo é aumentar a autoestima das pessoas.

Da Silva explica que, na idade de 12 a 14 anos, inicia-se o desenvolvimento da personalidade da pessoa, que se espelha nas atitudes paternas e maternas. É por meio desse referencial, que eles adquirem características psicológicas e escolhem crer e buscar, ou não, a Deus.“Há muitos casos em que ele (o adolescente) não gosta de ir mais à igreja, porque não vê o Evangelho sendo colocado em prática dentro de casa”, enfatizou.

A escritora estrangeira diz no livro dela que adolescentes cristãos comprometidos compartilham quatro características, não importa origem ou denominação: eles têm experiência pessoal com Deus, envolvimento profundo com uma comunidade espiritual, senso de propósito e senso de esperança quanto ao futuro.“Existem incontáveis estudos que mostram que adolescentes religiosos têm melhores notas na escola, têm relações melhores com os pais e se envolvem menos em comportamentos de alto risco”, escreve Kenda.

Responsabilidade dividida

Apesar de a base principal estar nos pais, o psicólogo ressalta que a liderança das igrejas também deve cumprir o papel de auxiliar o adolescente a viver e conhecer os princípios do Cristianismo. “A igreja deve trabalhar em parceria com os pais; ela cuida da parte espiritual, enquanto os pais ficam com a parte emocional e educacional”, declarou, ao destacar que o ministério deve “aconselhar, orientar e estudar a situação das famílias”, que pertencem à congregação.

Entretanto, muitos pastores têm o hábito de focar os ensinamentos sempre no mesmo tema. Alguns assuntos, inclusive, ainda são considerados tabus entre os cristãos, o que prejudica o auxílio às famílias em lidar com os adolescentes. “A maioria se foca na teologia e não aproveita outros métodos que podem auxiliar”, afirmou, ao citar a especialização oferecida em São Paulo, onde líderes cristãos aprendem a agir como terapeutas no gabinete pastoral.

Quando o ‘lobo’ congrega ao lado

Em busca de novas ‘aventuras’, os adolescentes costumam ser mais ligados aos amigos e deixam de ouvir à família. Dentro da igreja, porém, eles não estão protegidos de más influências ou, até mesmo, de seguir por caminhos errados. “Há grupos isolados que têm hábitos e costumes diferentes do padrão cristão e até agem como evangélicos, mas por dentro são lobos em pele de cordeiro”, alertou o psicólogo Márcio da Silva.

Mesmo diante do alerta feito aos pais e líderes, o presbítero lembra que não se deve generalizar o modo como a sociedade enxerga os ‘futuros adultos’: “aborrescentes”. Há, sim, jovens tementes e comprometidos com o Reino de Deus. “Existem adolescentes que vivem aquilo que pregam e ministram na igreja, porque foram criados numa educação diferente, onde os pais deram o exemplo”, declarou.

Números alarmantes

O livro “Almost Christian” (Quase Cristão), da pastora KendaCreasy Dean, foi escrito com base no “Estudo Nacional da Juventude e Religião”, feito com aproximadamente 3,3 mil adolescentes norte-americanos, entre 13 e 17 anos.

Segundo a pesquisa, a maioria dos adolescentes entrevistados, que afirmava ser cristã– desde católicos até evangélicos, de denominações conservadoras e das mais liberais – era indiferente sobre sua fé e não se envolvia com ela.

Os números finais indicam que, embora três em cada quatro adolescentes americanos (75%) se declarem cristãos, menos da metade pratica sua fé, apenas metade a considera importante e a maioria não consegue falar de maneira coerente sobre suas crenças.